domingo, 31 de março de 2013



é insuportável o choro da distância
a terra vermelha fez-me o barro de ti
é certo que a vala comum surge
na tua mão ausente e na intermitência
que são os teus olhos com que choro

a promessa é turva como a tua voz
relevo sobretudo a palavra marido
e junto-me a ti periclitante a cada soluço
a cada mudança horária que chegou a hora

o amor liquidifica os corpos na penumbra
é insuportável o choro da distância
a folha autoriza-me a tinta e vens despida
à beira do abismo acenas com o teu nu
fazes aquele estrondo da morte vigilante

traduz-se inconveniente o rumor de nós dois
mas que estória é essa, perguntamos em uníssono
é insuportável o choro da distância

declaradas que estão as últimas lágrimas
de quando era insuportável sermos próximos.

nuno travanca



quinta-feira, 21 de março de 2013




entoas um silêncio de cem vozes

perdidas e tensas

dispersas e rudes



e cem vozes são o quanto mais eu posso

céptico não ouvir

nuno travanca